segunda-feira, 21 de maio de 2018

Na sua opinião, se um homem engravida uma mulher, e ela exige, ele tem de casar? Se ele não quiser, qual seria a melhor solução?

Em relacionamentos amorosos, sexuais e gaméticos não existem exigências. O que tem que ser exigido é que o pai participe (não apenas financeiramente) da criação e educação da criança que se tornará adolescente, até que se torne adulto. Essa é uma obrigação ética incontornável. E essa participação tem que ser completa, em todos os aspectos, como se o pai estivesse vivendo como marido da mãe, caso não esteja. Mas não é preciso que o pai mantenha relacionamento gamético, sexual ou amoroso com a mãe. Mas, certamente, terá que manter um relacionamento amistoso e cordial, além de colaborativo e compartilhante da criação e educação do filho ou filha. Se o pai e a mãe estabelecerem relacionamentos com outras pessoas, essas pessoas todas têm que manter uma relação de amistosidade e cordialidade para o bem do filho ou filha. E assim é que é ser civilizado.

Você conhece a pirâmide de aprendizagem de William Glasser ? E a taxonomia de bloom ? qual o melhor e qual sua opinião sobre elas ?

Em relação à pirâmide de Glasser eu concordo mas faço uma alteração. Começando do alto eu colocaria a seguinte ordem:
Escutar, Ver, Ver e Ouvir, Ler, Discutir, Escrever, Ensinar.
Em relação à taxonomia de Bloom, estou mais de acordo com os verbos da forma dita "revisada". Sempre usei essa taxonomia, inclusive na preparação das matrizes de questões de prova que elaborava. Em verdade eu usava uma matriz cúbica, com os objetivos como linhas, os conteúdos como colunas e os níveis de dificuldade como varetas de profundidade. Acho que todo professor tem que se basear nisso, não só na elaboração de avaliações mas, principalmente, no planejamento das estratégias de ensino para provocar a aprendizagem conceitual, sentimental, operacional (procedural), comportamental e de atitudes.

Professor, os cursos de Engenharia da federal do meu estado (UFPE) funcionam da seguinte forma: ofertam 600 vagas por ano. 300 por período. Durante os 2 primeiros semestres, os alunos tem as disciplinas básicas (cálculo, física, alg linear). Ao fim, a escolha a engenharia..(continua a pergunta)

Ao fim, a escolha a engenharia permanente é feita pro ranking. A primeira melhor média escolhe a engenharia que quiser (mecânica e civil são mais concorridas) até o último que fica com o que sobrar. Acha esse método de seleção justo? Alguém que foi ruim em cálculo poderia ser ótimo na eng desejada.
É justo sim. Quem tenha ido mal em Cálculo pode repeti-lo, mesmo sem ter sido reprovado para melhorar a nota e subir no ranking. Que outro critério seria mais justo? Sorteio? Novo vestibular interno? Até que este último poderia ser mais justo, mas, em geral, para enfrentar as disciplinas profissionalizantes, quem tenha se saído melhor nas básicas, certamente vai se sair melhor nas profissionalizantes.

Mestre, não sei se ainda tens interesse em conversar comigo sobre a ética de procriação. É um assunto desconfortável para quem trouxe vidas para cá, mas pediria que desconsiderasse este aspecto, por favor. Caso sim, posso enumerar os argumentos em meu perfil. Importante: não é nada patológico.

Pode discutir sim. Gosto disso, mesmo em relação ao que discordo (aliás, principalmente). Depois, quem sabe eu mude de ideia?

Apesar de sua afirmação que a radiação radioativa se dissipa, existe algum perigo de se visitar, hoje, a Usina de Chernobil (pessoas vão lá para conhecê-la, a título de turismo)? Você iria?

Tem perigo sim. Porque há material radioativo no solo e nas edificações e esse material continua emitindo radiação, que se dissipa, mas nova é emitida.

Quais são os três principais desvios do professor em sala de aula na atualidade? Pode citar outros mais se quiser.

Primeiro: Pretender que a turma fique quieta e passiva assistindo sua aula expositiva. O professor tem é que fazer a turma toda participar, interativamente, trabalhando, andando pela sala, juntamente com o professor, pesquisando, em vários livros, na internet, pelo celular, discutindo uns com os outros. Então o professor cataliza a discussão, perguntando a todos o que encontraram e fazendo a síntese, corrigindo os enganos.
Segundo: Priorizar as aplicações em detrimento do entendimento, da compreensão, da conceituação, da discussão do valor daquele conhecimento. Preocupar com o que cai no ENEM e não e fazer o estudante entender como o mundo funciona. É preciso treinar habilidades e não só passar conhecimentos. Mas passar conhecimentos de modo fundamentado e discutido, deixando os alunos o contestarem.
Terceiro: Omitir-se em relação à formação ética do caráter do aluno e dos demais temas transversais, jamais os abordando, nunca os discutindo. É preciso polemizar, justamente os temas controvertidos, levantar as questões preconceituosas. Discutir os problemas de intolerância. Contrariar as noções comuns absorvidas pelo convívio familiar e social que sejam nocivas ao bem do mundo. Não importa a disciplina que lecione. Todo professor, antes de tudo, um educador.
Leia estes dois artigos:
http://www.ruckert.pro.br/blog/?p=4538
http://www.ruckert.pro.br/blog/?p=4518

Ernesto, me decepciona a predominância de crenças religiosas, principalmente entre minha família, junto com a ausência de questionamento, de pensamento crítico e debate honesto. Trazê-los à lucidez é dificílimo e cansativo. Não sei se conseguiremos de fato espancar a ignorância. Bem que eu queria.

Sem dúvida. Mas a culpa é do sistema educacional, que não implanta o ensino crítico de "RELIGIÕES" como obrigatório, do mesmo modo que filosofia e sociologia, inclusive com reprovação. Assim como o de "Ética". Mas de uma forma consistente e não apenas passando informações pasteis sobre a história das religiões, da filosofia, da sociologia e da ética. Com discussões polêmicas pra valer. Para que a juventude se inteire, saiba analisar, saiba cotejar, saiba refletir, saiba concluir, saiba contestar. E que cada um construa sua cosmovisão política, social, econômica, religiosa, ética por sua própria cabeça e não vá na onda dos pais, dos amigos, dos colegas, da sociedade.

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